terça-feira, 21 de outubro de 2014

Reminiscência


Segundo o antigo Ministro das Relações Externas da Polónia, Putin terá proposto ao Primeiro-Ministro polaco, em 2008, a divisão da Ucrânia entre os dois países.
Reminiscência?
O Javali teve acesso ao telefonema entre os dois chefes de Estado, que passamos a citar:

"Putin - Ribbentrop?
 PMPolaco - Diga?
 Putin - Aceito! Vamos dividir a Polónia em dois. Pode dizer ao chanceler Hitler que aceito.
 PMPolaco - Peço desculpa, mas não estamos em 1939. Isto é 2008!
 Putin - Ah, desculpe! Enganei-me no número.
Volta a ligar:
 Putin - Está lá?
 PMPolaco - Sim?
 Putin  Isto é 2008?
 PMPolaco - Sim, continua a ser!
 Putin - Vamos dividir a Ucrânia em dois? Metade para ti e a metade maior para mim.
 PMPolaco - Metades diferentes? Dividir um país soberano? Oh homem, você está doido?
 Putin - Mas queres ou não queres? Olha que te corto o gás!
 Desligou."

É sempre giro ver chefes de Estado a brincarem aos anos 30.

SMS histórica VIII

Na manhã do Domingo de Páscoa de 1768, o Marquês de Sade recebe uma SMS de Rose Keller, horas antes de iniciarem uma maratona de perversões, as quais levariam Sade à primeira estadia na prisão:

"Dá-me um toque quando chegares, que eu abro-te a porta das traseiras."
Enviada em 1768-04-09 às 10:23 CET

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A peça de teatro Job

O Javali de Vladivostok propôs-se adaptar a bonita história de Job, presente no Antigo Testamento, de modo a que as companhias de teatro desse mundo possam representar esta peça. Vejamos:

Uma dramatização

Seis personagens fictícias:
Job
Elifaz
Bildad
Zofar
Eliu
Deus
Satã

No alto do céu, Satã visita Deus para o piquenique semanal.
Deus - Então Satã, como vai isso?
Satã - Vai mal, meu Deus... vai mal.
Deus - Quer dizer isso que vai bem?
Satã - Sempre nas interpretações, seu maroto! Até os pensamentos se movimentam por caminhos misteriosos.
Deus - Ah! Ah! Ah! Ice tea para acompanhar os jesuítas?
Satã - Pode ser. Estás de bom humor! Que se passa?
Deus - Estás a ver ali, junto ao riacho? Ali vive o meu maior fã.
Satã - Como assim?
Deus - Vive ali o mais recto dos homens. Tem uma família, propriedades e gado abundantes e adora a eu.
Satã - A mim?
Deus - Querias!
Satã - Não era isso que queria dizer mas... Deixa lá! E não achas que, correndo tudo de feição, ele tem alguma razão para não te adorar?
Deus - Como assim?
Satã - Se lhe tirássemos coisas, creio que a adoração não seria assim tanta.
Deus - Será que me está a cheirar a aposta?
Satã - Ó meu Deus, podemos apostar quando vamos jogar bowling, agora com pessoas, não!
Deus - Agora viraste mariquinhas?
Satã - Não digas isso!
Deus - Mariquinhas!
Satã - Retira o que disseste!
Deus - MA-RI-QUI-NHAS!
Satã - Ai é? Então vou tirar-lhe a mulher, os filhos e as propriedades. Se ele continuar a adorar-te, podes ir buscar quem quiseres ao Inferno. Se o sentimento dele decrescer, posso eu escolher alguém do Céu para levar lá para baixo.
Deus - Por mim, até podes chagar-lhe o corpo todo.
Satã - Mas, mas, mas... Ok, tu é que mandas.

Na Terra, Job levava uma vida abastada, num quotidiano bucólico, quando algo o fez ficar sem filhos, propriedades e o respeito da comunidade. Foi 'algo' porque foi inventado por Deus e o homem que está a escrever este texto ainda não teve o discernimento (quanto mais, a inteligência) para descortinar o divino acto.
Job - Ai, ai! Mas que é isto? Ainda agora estava a ordenhar uma vaca e ela evaporou-se! Fiquei com as mãos sem tetinhas, a fazer movimentos como se estivesse a conduzir um tractor. Obrigado, meu Deus, por me evaporares a vaca, que a mulher já andava a desconfiar.
Satã (a pensar) - Continua a adorar, mesmo tendo perdido as riquezas... Esquisito! Pronto, vou chagá-lo.
Job - Ai, ai! Que dores! Oh, que feridas são estas? Não te apoquentais, Job! Recebeste o bem do Senhor, também deverás tomar o seu mal. E assim experimentas sensações novas, de dor intensa. Obrigado, meu Deus!
Chegam três amigos mais um.
Elifaz - Olá Job, velho amigo. Então, és iníquo, heim?
Job - Estais equivocado. Sou todo bom. Deus ter-se-á equivocado nas pústulas. O Schlomo, aquele pastor que passa mais tempo com as ovelhas do que com a mulher, vive aqui na quinta ao lado. Isto devia ser para ele.
Bildad - Olha que não, velho amigo. Deus não se engana. Deves ser mesmo um grande ímpio.
Job - Nada disso. Sempre fui bom. Deveras.
Zofar - Não me parece, velho amigo. Cá para mim sempre foste um estulto.
Job - Como podes dizer isso? Mesmo com o corpo em decomposição, eu continuo a adorar a Deus. Não fosse ter-me caído um braço há cinco minutos e abraçar-te-ia, apesar dos insultos.
Eliu - Basta! Cambada de ignóbeis. Nem os três senhores com nome de detergente de roupa têm razão, nem tu, mártirzinho de pacotilha! Deus é que julga, Deus é que sabe. A interpretação dos seus actos não cabe aos homens, pois os homens não podem interpretar actos de alguém superior. Deus só responde a si mesmo.
Entra Deus (peço desculpa pelo pleonasmo, tendo em conta a omnipresença).
Deus - É isso!
Job - Isso o quê?
Deus - Estais a interrogar-me?
Job - Não é isso. Só não percebi...
Deus - E como poderias tu perceber?
Job - Adoro-te!
Deus - Eu sei.

Na semana seguinte, Satã volta a encontrar-se com Deus no céu.
Satã - Trouxe aqui uns miminhos conventuais.
Deus - Se não és tu a trazer, nunca como nada disso.
Deus - Mas não foi só isso que trouxeste, pois não?
Satã - Olha que nunca pensei que ganhasses esta aposta. O que aconteceu ao pobre diabo?
Deus - Pobre deusinho, se faz favor. Restituí-lhe tudo: gado, mulher, filhos, propriedades...
Satã - Como assim? Ainda te lembravas de tudo?
Deus -  Na verdade, não me lembrava muito bem da quantidade. Pelo sim, pelo não, mandei-lhe tudo à grande, incluindo uma mulher com um par de mamas divinais.
Satã - Uau! Isso é mesmo à minha medida: diabólico.
Deus - Agora mostra, mostra! Trouxeste-me o Homero?
Satã - Sim, está aqui. Mas não percebo para que precisas dele? Sabes que ele é um esquizofrénico religioso: acha que há vários deuses.
Deus - Eu sei. Mas estou mesmo a precisar de um grande escritor para contar a maior história de todos os tempos.

SMS histórica VII

Pierre Cauchon liderou o processo contra Joana d'Arc, o qual a conduziu à morte por fogo. No dia anterior à execução, enviou-lhe estas duas SMS's:

"Como preferes a pila?"
Enviada em 1431-05-29 às 20:28 CET

"*pira. Corrector ortográfico. Lol."
Enviada em 1431-05-29 às 20:29 CET

domingo, 19 de outubro de 2014

Acompanha o livro Arte de Amar com...

Se há coisas que odeio, mais até do que a austeridade, são aqueles prefaciadores que contam o livro todo antes de termos oportunidade de o ler. Bois!
Por isso, aconselho vivamente a A arte de amar de Ovídio e sugiro que acompanhem a sua leitura com as seguintes ementas gastronómica e musical.  

Sopa
Do que quiseres, baby!

Prato principal
Pode ser vegetariano, baby! Hoje escolhes tu.


Sobremesa
Se quiseres tenho um docinho em casa para ti, baby.

Bebida
Vinho rosé

Música de acompanhamento


SMS histórica VI

No dia anterior à publicação do Manifesto do Partido Comunista, Engels esteve para não colocar o seu nome ao lado do de Marx, como comprova a SMS que lhe enviou:

"Colectivo o Car@lh*! Se voltas a falar do colectivo quando for para pagar o jantar novamente, ponho-me no car@lh*! Não há manifesto para ninguém!"
Enviada em 1848-02-20 às 17:38 CET

sábado, 18 de outubro de 2014

O "azar" de Jackson

"Fogo, meu, que azar o penálti falhado pelo Jackson!"
Ouvi isto várias vezes e pensei: será que as pessoas sabem o que é azar, quando se referem a um chuto na bola que não entrou na baliza? Azar teve o Palinuro!
E quem é o Palinuro?
Não, não é um jogador romeno do Benfica dos tempos da Parmalat.
Palinuro é tão somente o piloto do barco de Eneias.
Eneias é o herói de um livro que, curiosamente, se chama Eneida.
Ora, Eneias, em dado momento da história, falece-lhe o pai e como ainda tinha algumas coisas para lhe dizer, decide fazer-lhe uma visita ao reino dos mortos. Sucede que, à entrada do reino, estava uma chusma de gente, vestida de sombras, à espera de entrar e que não o podia fazer por se encontrarem insepultos, algures espalhados pelo mundo. Se não fossem sepultados ficariam cem anos à espera de entrar no reino dos mortos, como se fosse um sítio onde houvesse pressa para entrar. Dentre esta gente encontrava-se Palinuro, que decide contar a Eneias como e onde faleceu.
E sucedeu desta forma:
Num dia de tempestade, estava Palinuro ao leme quando um vagalhão sacudiu o navio e o expulsou pela popa. Palinuro, em alto mar, em vez de estar preocupado com a sua sobrevivência, fica apreensivo com a sobrevivência dos que ficaram no navio. Acontece que, com a queda, Palinuro levou para o mar também o leme e pensa que, assim, ninguém poderá conduzir o navio. Com isto em mente, nada durante quatro dias e quatro noites até avistar terra.
Cansado, sem forças, com os companheiros no pensamento, deita-se na praia para descansar. Eis se não quando surgem os habitantes locais que, sem fazerem quaisquer questões, o matam com estocadas de espadas.
Agora, quando quiserem falar de azar, falem-me do Palinuro. Caiu de um barco, no meio de uma tempestade, sobreviveu em mar alto quatro dias e, quando encontra terra, é morto sem poder abrir a boca. Isto é que é azar!
Agora o Jackson! É metade falta de jeito e metade mérito do Patrício!
Azar teve o Palinuro!