Queria dizer que estou extremamente indignado, atingindo nível 8.3 da escala de Marinho Pinto.
Aproximava-me eu de um rapaz que distribuía publicidade na rua, talvez rastreio visual grátis, ou 10% de desconto em meio perfume seleccionado... bem, não interessa! O que interessa é que me aproximava para receber o papel que toda a gente estava a receber, o papel que ia encher de descontos o caixote do lixo mais próximo, e não é que o band... o publicista opta por não me dar o papel a mim!
Mas que é isto?
Qual é o critério de selecção deste especialistas de esquina em entrega de pedaços de celulose?
"Ui, dos 8000 papéis que tenho para entregar, acho que não vou dar um a este indivíduo. É desperdício."
É que nem me deu oportunidade para recusar!
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Swing monogâmico
Ao abrigo das muitas questões que me colocam (e não, não atendo em casa), e por já se terem apercebido que aqui há respostas para o que realmente interessa, vou fazer por ir respondendo a algumas delas.
Questão do dia: Como apimentar o romantismo num casal esquizofrénico?
Resposta extremamente inteligente: Averiguar o que os faz virar do capacete, provocá-los para virarem do capacete ao mesmo tempo, colocá-los num quarto com motivos de veludo e música do Barry White, praticarem sexo escaldante e, no fim, acharem que estiveram num bacanal com prostitutas e marinheiros.
Moral: Se o puderes fazer, faz muito. Se, para o fazeres, precisas de muitos, então arranja um que seja outros.
Questão do dia: Como apimentar o romantismo num casal esquizofrénico?
Resposta extremamente inteligente: Averiguar o que os faz virar do capacete, provocá-los para virarem do capacete ao mesmo tempo, colocá-los num quarto com motivos de veludo e música do Barry White, praticarem sexo escaldante e, no fim, acharem que estiveram num bacanal com prostitutas e marinheiros.
Moral: Se o puderes fazer, faz muito. Se, para o fazeres, precisas de muitos, então arranja um que seja outros.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Ich bin ein Berliner
Algures em Berlim, fim da tarde do dia 9 de Novembro de 1938
Um homem poisa o livro do momento, de seu título Mein Kampf, e profere, para si, a seguinte frase:
- Estava a ver que não! Alguém que trate daqueles parasitas!
Dirige-se à cozinha, onde se encontra a esposa, e informa:
- Esther, vou para a sinagoga.
Um homem poisa o livro do momento, de seu título Mein Kampf, e profere, para si, a seguinte frase:
- Estava a ver que não! Alguém que trate daqueles parasitas!
Dirige-se à cozinha, onde se encontra a esposa, e informa:
- Esther, vou para a sinagoga.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Disfunção eréctil e 11 de Setembro
Tenho para mim que as farmacêuticas deviam distribuir um DVD com as imagens das torres a caírem juntamente com os comprimidos para combater a disfunção eréctil.
Digamos que serviria como plano de recurso.
Deste modo, sempre que as drageias não surtam efeito, o homem coloca o DVD e diz:
"Vês, aquelas torres eram de aço e cimento e nem com dois aviões a chegarem-se elas se mantiveram em pé."
Digamos que serviria como plano de recurso.
Deste modo, sempre que as drageias não surtam efeito, o homem coloca o DVD e diz:
"Vês, aquelas torres eram de aço e cimento e nem com dois aviões a chegarem-se elas se mantiveram em pé."
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Moby Dick Was a Sardine
Ideia para livraria de best-sellers:
Na livraria 'Moby Dick Was a Sardine' os clientes não deambulam pelos corredores, não percorrem as estantes, não cheiram as lombadas.
Na livraria 'Moby Dick Was a Sardine' não encontramos corredores, não vislumbramos estantes, não vemos lombadas.
Na livraria 'Moby Dick Was a Sardine' os livros estão expostos numa espécie de ilha gigante, de face para cima, encavalitados uns nos outros, e guardados pelo livreiro e proprietário Moreau.
A livraria é rodeada a toda a volta por uma varanda corrida, a uma distância de cerca de três pisos.
Os clientes apenas podem apreciar a livraria da varanda.
Os clientes que quiserem comprar livros têm que entrar num dos quinze mini-faróis dispostos na varanda.
Dentro do farol, encontramos todo o material necessário para a transacção: uma cana de pesca, um terminal com RFID, uma caixa de verga com a insígnia da loja (onde se lê: "Oh, my cod! I survived Moby's Dick") e um marcador espinhoso.
As regras da compra são simples: o cliente pega na cana de pesca (em que o fio não é fio, somente goma viscosa do género 'Pega-Monstro'), selecciona o artigo a adquirir e tenta pescá-lo. Segundo a política da loja, se o cliente pescar o livro à primeira tentativa, tem 30% de desconto; à segunda, 20%; à terceira, 10%; às quarta e quinta, zero.
A partir da sexta tentativa, o livreiro Moreau opta por uma de duas hipóteses: ou bane temporariamente o cliente por azelhice, enviando-o para a Ribeira de Alge durante duas semanas, para apanhar robalos com as mãos; ou traz ele o livro até ao cliente, num elevador próprio, com a particularidade de lhe colocar o livro no cesto de verga, logo seguido de três tabefes com um rabo de bacalhau.
A mezzanine do livreiro Moreau tem uma alta taxa de satisfação, até porque os clientes acabam todos por ser esbofeteados pelo fiel amigo, sempre que falham a pesca do livro de reclamações (estrategicamente colocado sob 433 exemplares do último livro de José Rodrigues dos Santos).
Na livraria 'Moby Dick Was a Sardine' os clientes não deambulam pelos corredores, não percorrem as estantes, não cheiram as lombadas.
Na livraria 'Moby Dick Was a Sardine' não encontramos corredores, não vislumbramos estantes, não vemos lombadas.
Na livraria 'Moby Dick Was a Sardine' os livros estão expostos numa espécie de ilha gigante, de face para cima, encavalitados uns nos outros, e guardados pelo livreiro e proprietário Moreau.
A livraria é rodeada a toda a volta por uma varanda corrida, a uma distância de cerca de três pisos.
Os clientes apenas podem apreciar a livraria da varanda.
Os clientes que quiserem comprar livros têm que entrar num dos quinze mini-faróis dispostos na varanda.
Dentro do farol, encontramos todo o material necessário para a transacção: uma cana de pesca, um terminal com RFID, uma caixa de verga com a insígnia da loja (onde se lê: "Oh, my cod! I survived Moby's Dick") e um marcador espinhoso.
As regras da compra são simples: o cliente pega na cana de pesca (em que o fio não é fio, somente goma viscosa do género 'Pega-Monstro'), selecciona o artigo a adquirir e tenta pescá-lo. Segundo a política da loja, se o cliente pescar o livro à primeira tentativa, tem 30% de desconto; à segunda, 20%; à terceira, 10%; às quarta e quinta, zero.
A partir da sexta tentativa, o livreiro Moreau opta por uma de duas hipóteses: ou bane temporariamente o cliente por azelhice, enviando-o para a Ribeira de Alge durante duas semanas, para apanhar robalos com as mãos; ou traz ele o livro até ao cliente, num elevador próprio, com a particularidade de lhe colocar o livro no cesto de verga, logo seguido de três tabefes com um rabo de bacalhau.
A mezzanine do livreiro Moreau tem uma alta taxa de satisfação, até porque os clientes acabam todos por ser esbofeteados pelo fiel amigo, sempre que falham a pesca do livro de reclamações (estrategicamente colocado sob 433 exemplares do último livro de José Rodrigues dos Santos).
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Patentear o passado
Perante esta ligação, o Javali teve ideias:
No Javalinismo, queria eu dizer.
O barbudo de Trier pensou nos pobrezinhos quando contava quase com 30 anos, enquanto eu pensei neles quando tinha 14. Bem, não em todos os pobrezinhos, que são muitos, mas como tinha que começar por algum lado, pensei em iniciar comigo.
Como qualquer grande quadro ideológico, este também nasceu da necessidade (e do 'bué da' tempo livre):
Todos os fins de tarde sentava-se em frente à TV a ver o Marés Vivas e questionava-me (depois de uma sessão de auto-satisfação, obviamente):
"Como é que um gajo pode deglutir uma gaja como a Erika Eleniak?"
E nada!
Os dias passavam e rien.
Aconteceu até ir correr para a praia com um meco de sinalização ao pescoço (que era o mais próximo que existia das bóias de salvação do programa televisivo) para ver se chovia alguma coisa.
Quando folheava a Super Pop de Julho de 1993, deparei-me com a realidade: a Erika namorava! E não era um namorado qualquer: era rico!
Foi aí que desenvolvi aquilo a que as pessoas chamam (erradamente) de Marxismo. Não desenvolvi imediatamente, pois a Super Pop daquele mês trazia um poster central da Erika e fiz um intervalo no WC mais próximo.
Bem, havia uma solução óbvia: tornar-me rico. Mas como era um gajo cool não queria correr o risco de me poder tornar num filho da puta.
Ora, se só os ricos (esses opressores) tinham acesso a gajas boas, tínhamos que mudar de paradigma: os pobrezinhos também deviam ter direito a comer gajas boas.
A ideia era muito simples: abolir a posse de Erika's (propriedade privada) em favor da colectivização das mesmas.
Como o Marxismo, também o Javalinismo tem muitos adeptos teóricos e muito poucos praticantes.
A culpa também é minha, que não me exprimo muito bem, sobretudo desde o dia em que propus ao Tomás, o meu amigo do râguebi, para partilhar a Celeste com os amigos.
É muito difícil discursar sem incisivos e caninos, e quando as palavras parecem todas compostas por éfes.
- Obter direitos de autor pela invenção da roda:
- Mudar o nome de Marxismo para Javalinismo:
No Javalinismo, queria eu dizer.
O barbudo de Trier pensou nos pobrezinhos quando contava quase com 30 anos, enquanto eu pensei neles quando tinha 14. Bem, não em todos os pobrezinhos, que são muitos, mas como tinha que começar por algum lado, pensei em iniciar comigo.
Como qualquer grande quadro ideológico, este também nasceu da necessidade (e do 'bué da' tempo livre):
Todos os fins de tarde sentava-se em frente à TV a ver o Marés Vivas e questionava-me (depois de uma sessão de auto-satisfação, obviamente):
"Como é que um gajo pode deglutir uma gaja como a Erika Eleniak?"
E nada!
Os dias passavam e rien.
Aconteceu até ir correr para a praia com um meco de sinalização ao pescoço (que era o mais próximo que existia das bóias de salvação do programa televisivo) para ver se chovia alguma coisa.
Quando folheava a Super Pop de Julho de 1993, deparei-me com a realidade: a Erika namorava! E não era um namorado qualquer: era rico!
Foi aí que desenvolvi aquilo a que as pessoas chamam (erradamente) de Marxismo. Não desenvolvi imediatamente, pois a Super Pop daquele mês trazia um poster central da Erika e fiz um intervalo no WC mais próximo.
Bem, havia uma solução óbvia: tornar-me rico. Mas como era um gajo cool não queria correr o risco de me poder tornar num filho da puta.
Ora, se só os ricos (esses opressores) tinham acesso a gajas boas, tínhamos que mudar de paradigma: os pobrezinhos também deviam ter direito a comer gajas boas.
A ideia era muito simples: abolir a posse de Erika's (propriedade privada) em favor da colectivização das mesmas.
Como o Marxismo, também o Javalinismo tem muitos adeptos teóricos e muito poucos praticantes.
A culpa também é minha, que não me exprimo muito bem, sobretudo desde o dia em que propus ao Tomás, o meu amigo do râguebi, para partilhar a Celeste com os amigos.
É muito difícil discursar sem incisivos e caninos, e quando as palavras parecem todas compostas por éfes.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
O escritor que se esqueceu de escrever VII
(continuação da continuação da continuação da continuação da continuação da continuação - parte 6 aqui)
...ração...ação...ção...ão...ãããooo _______________________________________
...abrão...brão...rão...ão...ããããoo _______________________________________
...oder...der...der...er...eeeerrrrrr _______________________________________
...uta...uta...uta...ta...ta...aaaaaaa _______________________________________
...avali...vali...vali...ali...liiiiiiiiiii _______________________________________
...aneleiro...neleiro...leiro...eiiiiro _______________________________________
Chegava ao fim a produção literária de Bruno, sob a sua pena, sem glória.
Os louros viriam depois, em duas tranches: primeiro, com o seu livro de maior sucesso (que não era seu) e, segundo, com o maior prémio literário que um escritor pode almejar.
Desta vez, quem puxa o tema da literatura é Bruno e revela que nunca conseguiu parar de escrever. O único tema que lhe interessava era ele próprio. Nada externo a si o movia na escrita. E era a escrita que o mantinha vivo, quer no sentido, quer biologicamente. Bruno passou a escrever em folhas de árvores: mantinha o que queria recordar em folhas perenes; e alimentava-se de folhas caducas onde também escrevia, mas apenas o que queria comer - 'rolo de carne', 'tofu de doninha', 'gin de maracujá'.
Nélson pediu-lhe autorização para catalogar as folhas e tentar fazer delas um livro. Ficou espantado quando verificou que o que tinha em mãos tinha substrato e não era da resina; tinha substrato literário. Era o livro mais sincero e visceral de Bruno; e era a sua autobiografia.
A ideia de publicar não fazia parte do horizonte de Bruno; queria apenas escrever. E queria deixar de o fazer em folhas arrancadas e em folhas caídas. O seu objectivo era simples: escolher uma árvore e escrever a sua história nas suas folhas. E quem quisesse ler, teria que trepar uma árvore. Não mais haveria edições em papel, nem apresentações, nem entrevistas, nem nada. Apenas a sua história: espalhada nas folhas da árvore: perecível ao sabor do tempo.
Mas Nélson queria ajudar financeiramente Bruno. O facto de Bruno lhe andar a gratinar chinchilas também pesou. A única forma de o ajudar, uma vez que Nélson era parco em bens, era publicar a autobiografia de Bruno.
Assim aconteceu. E foi efectivamente o livro mais sincero e vísceral de Bruno.
Uma autobiografia que começa com as palavras de engate do pai para a mãe do autor, seguida da descrição pormenorizada da sua concepção. Ficamos a conhecer o gérmen da produção literária de Bruno, mas a novidade, o choque, adveio das relações entre os seus familiares.
Afinal quem Bruno conhecia como pai era somente seu tio-avô, enquanto o seu tio era o seu pai biológico; já a sua mãe era efectivamente sua mãe, mas acumulava com o grau de avó paterna; o seu primo mais velho era, na realidade, o seu filho mais novo; manteve uma relação extra-conjugal, ele que foi sempre solteiro, com a cadeira de baloiço que vivia em união de facto com o seu primo Samuel; a cadeira de rodinhas que se pensava ser fruto desse relacionamento mais não era do que filha de Bruno, revelação inédita.
A família padecia de Parentalatatite (badalhoquissis nojentis em latim), uma patologia que permite reconhecer familiares pelo cheiro, mas torna graus indescerníveis.
O livro conheceu enorme sucesso, tendo chegado à 72ª edição (sendo que as primeiras 60 foram de 3 exemplares cada uma) só em território nacional.
No decorrer deste sucesso Bruno esteve incontactável e invislumbrável. Consta-se que, com o dinheiro da autobiografia, Bruno terá comprado uma oficina de carpintaria onde passou a viver e juntamente com cerca de duas centenas de cadeiras abandonadas (com pernas a menos; mancas; cruzamentos de venguê com carvalho mal conseguido; etc.)
Bruno só voltou a ser visto uma única vez.
Seria última: para nós e para ele.
(continua para terminar, se o escritor não se esquecer de escrever)
- Versos em Reverberação (2032), poesia interactiva
...ração...ação...ção...ão...ãããooo _______________________________________
...abrão...brão...rão...ão...ããããoo _______________________________________
...oder...der...der...er...eeeerrrrrr _______________________________________
...uta...uta...uta...ta...ta...aaaaaaa _______________________________________
...avali...vali...vali...ali...liiiiiiiiiii _______________________________________
...aneleiro...neleiro...leiro...eiiiiro _______________________________________
Chegava ao fim a produção literária de Bruno, sob a sua pena, sem glória.
Os louros viriam depois, em duas tranches: primeiro, com o seu livro de maior sucesso (que não era seu) e, segundo, com o maior prémio literário que um escritor pode almejar.
- Vim das Gónadas do Meu Tio (2038), autobiografia não autorizada
Desta vez, quem puxa o tema da literatura é Bruno e revela que nunca conseguiu parar de escrever. O único tema que lhe interessava era ele próprio. Nada externo a si o movia na escrita. E era a escrita que o mantinha vivo, quer no sentido, quer biologicamente. Bruno passou a escrever em folhas de árvores: mantinha o que queria recordar em folhas perenes; e alimentava-se de folhas caducas onde também escrevia, mas apenas o que queria comer - 'rolo de carne', 'tofu de doninha', 'gin de maracujá'.
Nélson pediu-lhe autorização para catalogar as folhas e tentar fazer delas um livro. Ficou espantado quando verificou que o que tinha em mãos tinha substrato e não era da resina; tinha substrato literário. Era o livro mais sincero e visceral de Bruno; e era a sua autobiografia.
A ideia de publicar não fazia parte do horizonte de Bruno; queria apenas escrever. E queria deixar de o fazer em folhas arrancadas e em folhas caídas. O seu objectivo era simples: escolher uma árvore e escrever a sua história nas suas folhas. E quem quisesse ler, teria que trepar uma árvore. Não mais haveria edições em papel, nem apresentações, nem entrevistas, nem nada. Apenas a sua história: espalhada nas folhas da árvore: perecível ao sabor do tempo.
Mas Nélson queria ajudar financeiramente Bruno. O facto de Bruno lhe andar a gratinar chinchilas também pesou. A única forma de o ajudar, uma vez que Nélson era parco em bens, era publicar a autobiografia de Bruno.
Assim aconteceu. E foi efectivamente o livro mais sincero e vísceral de Bruno.
Uma autobiografia que começa com as palavras de engate do pai para a mãe do autor, seguida da descrição pormenorizada da sua concepção. Ficamos a conhecer o gérmen da produção literária de Bruno, mas a novidade, o choque, adveio das relações entre os seus familiares.
Afinal quem Bruno conhecia como pai era somente seu tio-avô, enquanto o seu tio era o seu pai biológico; já a sua mãe era efectivamente sua mãe, mas acumulava com o grau de avó paterna; o seu primo mais velho era, na realidade, o seu filho mais novo; manteve uma relação extra-conjugal, ele que foi sempre solteiro, com a cadeira de baloiço que vivia em união de facto com o seu primo Samuel; a cadeira de rodinhas que se pensava ser fruto desse relacionamento mais não era do que filha de Bruno, revelação inédita.
A família padecia de Parentalatatite (badalhoquissis nojentis em latim), uma patologia que permite reconhecer familiares pelo cheiro, mas torna graus indescerníveis.
O livro conheceu enorme sucesso, tendo chegado à 72ª edição (sendo que as primeiras 60 foram de 3 exemplares cada uma) só em território nacional.
No decorrer deste sucesso Bruno esteve incontactável e invislumbrável. Consta-se que, com o dinheiro da autobiografia, Bruno terá comprado uma oficina de carpintaria onde passou a viver e juntamente com cerca de duas centenas de cadeiras abandonadas (com pernas a menos; mancas; cruzamentos de venguê com carvalho mal conseguido; etc.)
Bruno só voltou a ser visto uma única vez.
Seria última: para nós e para ele.
(continua para terminar, se o escritor não se esquecer de escrever)
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