segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Contos de Natal por Realizadores Famosos


- David Lynch

Era noite de Natal. O Pai Natal distribuía presentes por todas as casas.
Apareceu um comboio: alfa pendular. Virou-se para a garrafa de azeite e perguntou:
- Então, isto é que é Marte?
Fim

- Quentin Tarantino

O Pai Natal desceu a chaminé. António, mais conhecido pelo nome de código Matracas, estava à sua espera. Os olhares dos dois cruzaram-se ao som de Al Green.
- António? Ou devo dizer: Matracas? Portaste-te muito mal este ano, não foi? E já sabes o que diz Samuel acerca disso. Capítulo 15, versículo 18: "Enviou-te o Senhor a este caminho e disse: «Vai e destrói totalmente estes pecadores [...] até exterminá-los." Toma a tua prenda.
Antes de cair um pingo de suor da fronte de Matracas, 78 balas perfuraram-lhe o abdómen, espichando sangue por todo o lado: presépio, prendas e árvore de Natal. O Pai Natal sai com ar de dever cumprido. Porém, ainda há vida em Matracas. Antes de entrar em coma, apenas um pensamento vai na sua cabeça:
- Vingança! Tenho que matar o Pai Natal.
Fim

- Michael Moore

Flint, Michigan. Dia 24 de Dezembro. As famílias americanas estão reunidas à mesa para celebrar o Natal. Perto da meia-noite, o Pai Natal pousa o trenó num telhado. Vai descer a primeira chaminé. Não consegue. Está demasiado gordo porque as grandes empresas, que dominam os políticos de Washington, obrigam-no a alimentar-se daquilo que está a matar a América: fast-food.
Fim

- David Fincher

O Pai Natal desce a escura chaminé. O cheiro daquela fuligem é familiar e não muito distante na sua memória. Quando leva às mãos ao saco para retirar os presentes, não os encontra. Sem saber o que fazer, repara que os presentes estão já junto da árvore. Alguém quebrou as regras do "Clube de Natal":
1ª regra: Só o Pai Natal distribui presentes no Natal.
2ª regra: Só o Pai Natal distribui presentes no Natal.
Quem se teria adiantado? Os duendes ajudantes? Rudolfo? Valentim Loureiro?
Não era possível! Eles não existiam. Será que também ele não existia?
Fim

- George Lucas

 Há muito, muito tempo. Numa chaminé de uma galáxia distante, estava Pai Natal. Esta chaminé era a última do seu planeta. Lord Gore havia instituído por todo o seu império que as chaminés não eram energicamente eficientes. Mandou eliminá-las. Isso significava que a chaminé onde Pai Natal se encontrava era rebelde. E a última. Para Pai Natal manter o seu emprego teria que eliminar Lord Gore. E assim aconteceu. No auge do combate num bloco de gelo da Antártida, Lorde Gore confessa:
- Pai, eu sou o teu pai!
- Mas só há lugar para um Pai: eu!
- Sim, mas um pai também é filho. E tu és o meu.
- Então porquê eliminar as chaminés? São o trabalho do teu filho!
- Porque pensei que passasses a optar pelas portas. É mais seguro e eu não queria que te magoasses.
- Oh, papá!
Lord Gore desiquilibra-se com o degelo provocado pelo aquecimento global e desaparece nas profundezas do oceano. 
Fim

- Stanley Kubrick

O Pai Natal desce pela chaminé. Na sala, um aglomerado de nudistas, apenas de máscara veneziana, esperavam-no:
- Com que então, a tentar entrar clandestinamente neste grupo secreto? Qual é a palavra passe?
- Não sei!
- Pois então vai sofrer as consequências. Katerina, Matilde, Ivanenka! Sentem-se ao colo do gordo!
Fim

- Woody Allen

O Pai Natal desce pela chaminé. Alvy Singer estava sozinho a ler Kirkegaard.
- Oh, não estava à espera que visitasse um judeu ateu. Apesar de desprezar tudo o que representa em termos sociais, respeito a solidão e mascarar-se em idade adulta. Quando a Annie me deixou eu fiz o mesmo. Não descer pela chaminé das pessoas, é claro. Um judeu no Natal só era o melhor presente, se fosse à mesa de Himmler. Disfarcei-me de escaravelho, como na Metamorfose de Franz Kafka, e fui para o Central Park, para mostrar que a solidão também ocorre em espaços abertos. Isso e porque pagar renda no Upper East Side é mais difícil do que fazer o Roosevelt correr os 100 metros barreiras.
Fim

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

SMS histórica XXVI

Antes de plasmar a teoria da gravitação universal, o médico aconselhou Sir Isaac Newton a levar o seu trabalho com mais calma. Aparentemente, facilitou-lhe o seu ofício:


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A minha primeira vez

Olá!
Venho por este meio mostrar um vídeo onde podem ver a minha primeira vez.
A fazer stand-up.
Na verdade, terminou como outra primeira vez: com nervos, vergonha, mas com mais roupa.
Convirá dizer que, qualquer semelhança com circunstâncias e pessoas reais é pura cena da minha cabeça.
Digam de vossa justiça.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

SMS histórica XXV

Segundo Shakespeare, Ricardo III terá proferido a sua famosa frase no final da batalha de Bosworth Field. Porém, a realidade é menos romântica. O rei inglês terá dito a mesma frase noutra batalha, também ela perdida - a do seu vício; e por SMS:


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

As técnicas de tortura da GNR


Ao ler a notícia aqui acerca das práticas de dentenção e interrogatório da CIA, verifico que a agência americana está a anos-luz do modus operandi da nossa GNR.

A CIA utilizou a privação de sono, levando os prisioneiros a falarem do que sabiam e do que não sabiam. Em Portugal, isso não é uma prática clandestina - é um programa de televisão. Chama-se "As escolhas de Marcelo.
A tortura mais conhecida é o waterboardind (em português, afogamento simulado), que consiste em mergulhar roupas em água e colocá-las sobre as vias respiratórias do prisioneiro, dando a sensação de afogamento. Algo semelhante ocorre no Meco. É facultativo, decorre ao fim de semana e chama-se praxe.
Outra prática mencionada no artigo é a alimentação e hidratação por via rectal. Tendo em conta que a maior dos prisioneiros são muçulmanos, com uma dieta à base de caril e picantes, acreditamos que seja uma prática dolorosa. Por cá, Manuel Luís Goucha chama-lhe pequeno-almoço.
Por último, fala-se da prática de deixar os prisioneiros em nudez completa durante 72 horas, levando frequentemente com jactos de água fria. A Marta Leite Castro chama-lhe terapia. 

Vejamos agora as avançadas técnicas da nossa GNR:

- Baralhar o condutor com linguagem formal
A maior parte do interrogatório por parte de um agente da GNR é executado através do tratamento do suspeito como prevaricador. E o suspeito nunca tem nome, é sempre o "Senhor Condutor". O agente pode ter visto 10 vezes a carta de condução mas nunca nos trata pelo nome. E quem diz formalismo, diz analfabetismo.

- A barriga como engodo
O GNR é conhecido pelo seu bigode, por ser bêbedo e por ter pança. A barriga incute o sentimento no condutor de que é sempre possível fugir; ou, pelo menos, de que é possível trocar a de multa por um saco de salpicões. A maior parte das vezes, é.

- Privação de água
A GNR pratica a privação de água nos seus agentes, sem contudo privá-los de outros líquidos mais graduados. Isto permite aos agentes uma desinibição maior aquando de interrogatórios, bem como um disfarce perfeito na integração em festas populares. Aliás, aquando da admissão à carreira militar na GNR, logo após os dados pessoais, o candidato tem que responder quantas vezes fez o programa dos 12 passos do alcóolico e quantas vezes falhou. O ideal é escrever: "Bêbedo és tu, ó boi do c*r*lho! Diz-me mas é aonde é que é o bar. Estou a ficar com sede."

- O jogo das escondidas
O programa de treino consiste, sobretudo, no domínio do jogo das escondidas, até porque é o único que os futuros agentes conseguem perceber. Depois, é só aplicá-lo na vida real e dentro de um carro: do lado de lá dos rails da auto-estrada, atrás do placard de saída para Moimenta da Beira, em cima de pontes, etc. Contudo, trata-se de um jogo em que só eles é que sabem que o estão a jogar. Os contudores são sempre apanhados em falso.

- A curva da estrada
Este texto não serve só para provar os avanços técnicos da GNR em relação à CIA. Serve também para mostrar que, para chegar a este nível, não aconteceu de um dia para o outro. Os GNR fazem isto desde que existem curvas na estrada e uma das questões que divide os académicos é saber quem aí chegou primeiro: os GNR's ou as prostitutas? Eu gosto de pensar que as práticas dos GNR são as mais ancestrais, até porque depois de privar com profissionais destes dois ofícios, quem é que costumamos achar que nos fodeu mais? O GNR, pois claro.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Música para oferecer à família neste Natal


Continuas sem saber o que oferecer no Natal? Não te chegaram as minhas propostas de livros aqui? Preferes que te dê música, então? Muito bem, aqui vai. Álbuns para oferecer aos membros da família.

Para a tia:
- que não se cala: Einstürzende Neubauten - Silence is Sexy
- freira: Air - The Virgin Suicides OST
- que vai no quarto casamento: The Who - Who's Next

Para o tio:
- que sofreu um acidente de viação: dEUS - The Ideal Crash
- que viveu os anos 80 como se não houvesse amanhã e apanhou HIV: Beastie Boys - Licensed to Ill
- padre: Depeche Mode - Violator

Para a prima:
- que vive para o bronze desde Janeiro mas apanhou uma rosácea no ombro: The Doors - Waiting For The Sun
- com poliomielite: Bruce Springsteen - Born To Run

Para o primo:
- que não usa desodorizante: Mão Morta - Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina o Ar se Tornou Irrespirável.
- hipster: Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's What I'm Not
- abandonado pela namorada: Hansdome Boy Modeling School - So... How's Your Girl?

Para a irmã:
- leviana: Pete Yorn - Music For The Morning After
- depressiva: Smashing Pumpkins - Mellon Collie And The Infinite Sadness

Para o irmão:
- em coma desde o acidente de surf: Marvin Gaye - What's Going On
- daltónico: Miles Davis - Kind of Blue

Para a avó:
- viúva: Arcade Fire - Funeral
- que fazia abortos em casa antes da legalização: Nirvana - In Utero
- com alzheimer: Nirvana - Nevermind

Para o avô:
- retornado e que tem uma neta que namora com um preto: Amy Winehouse - Back To Black
- que descobriu as maravilhas do viagra: Bruce Springsteen - The Rising

Para a mãe:
- que perdeu um filho num acidente de paraquedismo, experiência que lhe havia oferecido num pack Odisseias: Coldplay - Parachutes

Para o pai:
- pau mandado: Portishead - Dummy

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Livros para oferecer à família neste Natal


Ainda andas às voltas com as prendas de Natal para a família?
Não queres voltar a receber um olhar reprovador da tua tia, por lhe teres oferecido um perfume comprado num hipermercado?
Não queres a desilusão estampada na cara da tua mãe, por mais uma prenda que não tem nada a ver com ela?
Pois eu trago a solução, qual anúncio de televendas.
Este ano vais oferecer livros a toda a gente.
São prendas que podem ser adquiridas no mesmo local (desde que não seja num hipermercado, onde os livros vêm com cheiro a talho), cabem todas debaixo da árvore e ninguém vai fazer má cara a um livro.
Acontece que existem três tipos de pessoas no mundo: as que lêem, as que têm a mania que lêem e as que não querem admitir que não lêem. Portanto, trata-se de uma prenda vencedora à partida.
Vamos a isso?

Para a tia:
- recém-divorciada: de António Nobre
- depressiva: Suicídios Exemplares de Enrique Vila-Matas
- sobrevivente de cancro: Sorte de Alice Sebold
- gorda: Queres Crescer e Depois Não Cabes na Banheira de Miguel Castro Caldas

Para o tio:
- bêbedo: Pela Estrada Fora de Jack Kerouak
- que fugiu para Angola e deixou a dívida à tua tia: Crime e Castigo de Fiódor Dostoièvski
- que ainda pensa que é fixe e usa o casaco de cabedal de solteiro que já não consegue apertar: A Sombra do Que Fomos de Luis Sepúlveda
- molestador: Lolita de Vladimir Nabokov
- padre: Lolita de Vladimir Nabokov

Para o primo:
- toxicodependente: Pergunta ao Pó de John Fante
- invisual: Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago ou, como já deve ter por ser uma escolha óbvia, Nenhum Olhar de José Luís Peixoto
- desempregado: O Inútil da Família de Jorge Edwards
- órfão: A Mãe de Máximo Gorki
- estúpido: Sei Lá de Margarida Rebelo Pinto

Para a prima:
- prostituta: Amesterdão de Ian McEwan
- esquizofrénica: A Louca da Casa de Rosa Montero
- charrada: Folhas de Erva de Walt Whitman
- daltónica: O Vermelho e o Negro de Stendhal
- que tem um vídeo amador na internet: Os Quatro Grandes de Agatha Christie

Para o irmão:
- mais velho: 25 de Abril - Liberdade de João Malheiro
- mais novo: Não me F**** o Juízo de Colin McGinn

Para a irmã
- mais nova, em idade de pré-escola: Maddie 129 de Ernâni Carvalho
- mais nova, que acha que está em idade do desabrochar sexual: Rio de Sangue de Tim Butcher
 
Para a avó:
- trocada pela amante: O Centenário Que Fugiu Pela Janela e Desapareceu de Jonas Jonasson
- devota: Versículos Satânicos de Salman Rushdie

Para o avô:
- gingão: Memórias das Minhas Putas Tristes de Gabriel García Marquez
- rezingão: Dom Casmurro de Machado de Assis

Para a mãe:
- pacata: Agenda Doméstica 2015 de Maria Raquel
- traída: Os Homens Que Odeiam as Mulheres de Stieg Larsson
- adúltera: pack de 2 com Madame Bovary de Gustave Flaubert e Pudor e Dignidade de Dag Solstad

Para o pai:
- ausente: O Homem Sem Qualidades de Robert Musil
- adúltero: Brasil. Guia American Express